Bitcoin cai para US$ 86 mil com aversão ao risco, payroll no radar e RSI sinalizando pressão de venda

Bitcoin cai para US$ 86 mil com aversão ao risco

Bitcoin recua para US$ 86 mil em meio à aversão ao risco, impacto da IA nos mercados globais, expectativa pelo payroll dos EUA e RSI indicando maior pressão de venda nas criptomoedas.

Bitcoin hoje: por que o BTC caiu para US$ 86 mil?

O mercado de criptomoedas amanheceu em modo defensivo nesta terça-feira (16). O Bitcoin (BTC) recuava cerca de 4%, orbitando a região dos US$ 86,3 mil, enquanto o market cap global encolhia para US$ 2,94 trilhões, uma retração de 4,3% nas últimas 24 horas.

O movimento não acontece no vácuo. Ele reflete um aumento expressivo da aversão ao risco, impulsionado por preocupações envolvendo inteligência artificial, dados macroeconômicos dos Estados Unidos e sinais técnicos claros de enfraquecimento no mercado cripto.

Em paralelo, o índice de medo do mercado marcava 22%, reforçando um sentimento predominante de cautela entre investidores institucionais e varejo.


Aversão ao risco global pressiona o Bitcoin

O tombo do BTC acompanha o desempenho negativo dos principais índices acionários dos Estados Unidos, ativos historicamente correlacionados ao Bitcoin em momentos de estresse.

O S&P 500 encerrou o pregão anterior em queda de 0,16%, enquanto o Nasdaq recuou 0,59%. A correção foi puxada, sobretudo, por ações ligadas ao setor de tecnologia e inteligência artificial.

Empresas como a Broadcom, com baixa de 5,59%, e a Oracle, que caiu 2,66%, lideraram as perdas. O mercado começa a questionar o ritmo de crescimento e os altos valuations associados ao hype da IA — e quando Wall Street aperta o cinto, o Bitcoin sente o impacto quase instantaneamente.


Payroll dos EUA pode aumentar a volatilidade do BTC

Outro fator relevante no radar dos investidores é a divulgação do payroll dos Estados Unidos, referente a novembro. O relatório de folhas de pagamento não agrícolas é um dos principais termômetros da saúde econômica americana.

Os dados mais recentes indicam desaceleração nas contratações, ao mesmo tempo em que a inflação segue resiliente. Esse combo é particularmente indigesto para ativos de risco, como criptomoedas, já que reforça a narrativa de juros elevados por mais tempo.

Em resumo: payroll fraco + inflação resistente = pressão vendedora no Bitcoin.


RSI aponta aumento da pressão de venda no mercado cripto

Do ponto de vista técnico, os sinais também acendem o alerta. O Índice de Força Relativa (RSI) médio do mercado caiu para 36,34 pontos, indicando aumento da pressão de venda em relação ao dia anterior.

O mapa de calor do RSI, conforme ilustrado na imagem de referência, mostra uma concentração relevante de tokens nas zonas de sobrevenda, enquanto outros ativos aparecem em sobrecompra, aumentando a probabilidade de correções adicionais.

Entre os tokens em zona de forte compra ou sobrecompra, mais suscetíveis a correções, destacam-se:
PIPPIN, ARC, PTB, TRX, XMR, BAN, JELLYJELLY, SOMI, MYX, OG e JST.

Já na extremidade oposta, em forte venda ou sobrevenda, aparecem nomes como:
XRP, PUMP, TRUMP, ENA, VIRTUAL, ENS, KAITO, LINEA, KAVA e DRIFT — ativos que, tecnicamente, podem apresentar movimentos de reversão no curto prazo.


Liquidações disparam e touros ficam em desvantagem

Os dados do mercado futuro reforçam o clima de tensão. Segundo a Coinglass, o Interesse Aberto caiu para US$ 129,61 bilhões, enquanto o volume de negociações disparou 39,7%, alcançando US$ 265,27 bilhões.

O número mais preocupante vem das liquidações: US$ 652,11 milhões em posições alavancadas foram encerradas nas últimas 24 horas. Desse total, quase US$ 584 milhões correspondem a posições compradas (longs), evidenciando clara desvantagem dos touros neste momento.


ETFs de Bitcoin registram saídas líquidas relevantes

O fluxo institucional também virou a chave para o modo cautela. Os ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos registraram saídas líquidas de US$ 357,69 milhões, enquanto os ETFs de Ethereum perderam US$ 19,41 milhões.

Curiosamente, produtos ligados a XRP e Solana (SOL) tiveram entradas líquidas, sugerindo uma rotação seletiva de capital, e não uma fuga completa do mercado cripto.


Altcoins sofrem, mas nem todas

O índice altseason, baseado nas 100 maiores criptomoedas por capitalização, estava em apenas 21 pontos, reforçando que o mercado ainda não vive uma temporada favorável às altcoins.

Mesmo assim, alguns ativos desafiaram o mar vermelho. Entre as maiores quedas estavam MERL, ASTER, NIGHT, ONDO e STRK. Já nas altas expressivas, destacaram-se TRUTH (+31,7%), PIPPIN (+30,4%) e ARC (+29,7%), mostrando que oportunidades pontuais seguem surgindo, mesmo em ambientes adversos.


O que esperar do Bitcoin nos próximos dias?

O cenário atual sugere volatilidade elevada, com o Bitcoin sensível a dados macroeconômicos, movimentos de Wall Street e sinais técnicos de curto prazo.

Enquanto o RSI permanece pressionado, os investidores devem redobrar a atenção ao gerenciamento de risco. Em ciclos como este, o mercado costuma separar estratégia de impulso — e sobrevivem os que operam com leitura fria, não com emoção.

Em resumo: o jogo não acabou, mas o Bitcoin entrou em uma fase onde disciplina vale mais que convicção cega. E, no mercado cripto, quem ignora o contexto… costuma pagar caro.

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