Bitcoin recua após baleias movimentarem 12 mil BTC para exchanges. Entenda os fatores técnicos, macroeconômicos e regulatórios que impactaram o preço do BTC hoje.
Bitcoin recua e afasta, por ora, a marca dos US$ 100 mil
O preço do Bitcoin (BTC) opera em queda nesta quarta-feira, 07 de janeiro de 2026, interrompendo uma sequência de altas que vinha desde o início do ano. Às 7h30, a principal criptomoeda do mercado é cotada a R$ 493.360,86, refletindo um movimento de correção após forte valorização recente.
No mercado internacional, o Bitcoin gira em torno de US$ 92.500, tornando o caminho até o nível psicológico dos US$ 100 mil mais desafiador no curto prazo. A queda ocorre em meio a uma combinação de fatores técnicos, on-chain, macroeconômicos e regulatórios, que elevaram a cautela entre investidores.
Movimentação de baleias aumenta oferta e pressiona o preço do Bitcoin
Um dos principais gatilhos para a queda do Bitcoin hoje foi o comportamento das chamadas baleias, grandes investidores que movimentam volumes expressivos da criptomoeda.
Segundo Mike Ermolaev, analista e fundador da Outset PR, aproximadamente 12.000 BTC foram transferidos para exchanges nos últimos dias. Esse é um dos maiores volumes semanais desde 2025 e costuma ser interpretado pelo mercado como intenção de venda, aumentando a oferta disponível.
Quando grandes quantidades de Bitcoin entram nas exchanges, cresce a probabilidade de liquidação imediata, o que tende a pressionar o preço para baixo. Um movimento semelhante foi observado em novembro de 2024, período que antecedeu correções relevantes no mercado cripto.
Agora, o mercado acompanha de perto se esses fluxos voltarão ao padrão de saída das exchanges, o que normalmente sinaliza retomada de confiança e redução da pressão vendedora.
Rejeição técnica e RSI sobrecomprado reforçam realização de lucros
Além da pressão on-chain, o Bitcoin enfrentou obstáculos técnicos importantes. O preço foi rejeitado na região de US$ 94.762, considerada um swing high de Fibonacci, e recuou até a zona de suporte próxima a US$ 91.400.
O Índice de Força Relativa (RSI) de 7 dias atingiu 80,65, nível que indica um mercado claramente sobrecomprado. Quando o RSI alcança patamares elevados, aumenta a probabilidade de realização de lucros, movimento comum após fortes altas.
Com a perda de força acima dos US$ 94 mil, abriu-se espaço para uma correção mais ampla. Caso o suporte em US$ 91.400 seja perdido, analistas apontam que o Bitcoin pode buscar a região de US$ 88.380, próxima à retração de 61,8% de Fibonacci. Ainda assim, essa faixa é vista como um suporte relevante para uma possível retomada da tendência de alta.
Regulação na Coreia do Sul aumenta aversão ao risco
Outro fator que pesou sobre o mercado cripto foi o ambiente regulatório na Ásia. A Coreia do Sul propôs um sistema que permitiria às autoridades congelar contas de criptomoedas antes da conclusão de investigações, com o objetivo de combater manipulação de mercado.
Apesar da intenção regulatória, a proposta gerou preocupação entre traders e investidores, que temem restrições de acesso, redução de liquidez e aumento da insegurança jurídica. Em um mercado já pressionado por fatores técnicos, esse tipo de notícia tende a elevar a aversão ao risco.
ETFs de Bitcoin seguem como âncora de estabilidade
Apesar da queda no curto prazo, o cenário estrutural do Bitcoin permanece resiliente. Os ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos continuam registrando entradas consistentes de capital.
Atualmente, esses fundos acumulam cerca de US$ 123,6 bilhões em ativos, com US$ 3,6 bilhões em novos aportes apenas na última semana. Esse fluxo institucional funciona como uma verdadeira âncora de estabilidade, ajudando a absorver parte da pressão vendedora e limitando quedas mais profundas.
O Fear & Greed Index marca 49, indicando um sentimento neutro. Não há pânico no mercado, mas também falta um catalisador claro para impulsionar novas altas no curtíssimo prazo.
Análise macroeconômica: dólar forte e cautela global
No cenário macro, os mercados asiáticos recuaram levemente, com o índice MSCI Asia-Pacific fora do Japão caindo cerca de 0,2%. O movimento reflete tensões geopolíticas, dados econômicos mistos e incertezas sobre política monetária.
Segundo André Franco, CEO da Boost Research, a queda nos preços do petróleo, após o anúncio de que a Venezuela poderá enviar até 50 milhões de barris ao mercado norte-americano, aumentou a pressão de oferta. Enquanto isso, o dólar permanece forte, com investidores aguardando dados de emprego dos EUA que podem influenciar decisões do Federal Reserve.
Esse ambiente macro tende a limitar o apetite por ativos de risco, como o Bitcoin, no curto prazo.
Análise técnica: cenário ainda construtivo no médio prazo
Do ponto de vista técnico, o analista Manish Chhetri destaca que, se o Bitcoin fechar acima da resistência em US$ 94.253, poderá estender a alta em direção ao nível psicológico de US$ 100.000.
O RSI em 59, acima do nível neutro, indica que os compradores ainda mantêm controle do momentum. Além disso, o MACD apresenta cruzamento de alta, com barras verdes ascendentes no histograma, reforçando uma perspectiva positiva no médio prazo.
Por outro lado, uma perda da EMA de 50 dias em US$ 91.774 pode levar o BTC a testar novamente o suporte em US$ 90.000.
Resumo do mercado cripto hoje
- Preço do Bitcoin: R$ 493.360,86
- R$ 1.000 compram: 0,0019 BTC
- R$ 1 compra: 0,0000019 BTC
Maiores altas do dia
- Jasmycoin (JASMY): +5%
- Memecore (M): +4%
- Hyperliquid (HYPE): +3%
Maiores quedas do dia
- Stacks (STX): -7%
- Mantle (MNT): -6%
- Dash (DASH): -5%


