Futuros de Wall Street operam em alta com expectativa sobre juros do Fed, investimentos em inteligência artificial, alta do ouro e tensões geopolíticas que impulsionam o petróleo.
Os mercados financeiros globais iniciaram esta quarta-feira em tom positivo, com os futuros dos principais índices de Wall Street em alta, enquanto investidores analisam novos dados econômicos, declarações do Federal Reserve e acontecimentos geopolíticos que seguem mexendo com commodities e ações específicas.
O cenário combina cautela e otimismo. De um lado, há expectativa em torno da política monetária dos Estados Unidos. Do outro, o entusiasmo com inteligência artificial, valorização de metais preciosos e movimentos estratégicos de grandes corporações seguem dando gás ao mercado.
Futuros de Wall Street sobem antes de novos dados econômicos
No pré-mercado, os futuros do Dow Jones avançavam 0,2%, enquanto o S&P 500 subia 0,36% e o Nasdaq 100 registrava alta de 0,45%. O movimento reflete a postura dos investidores, que aguardam novos indicadores econômicos para calibrar expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Após uma sessão volátil na terça-feira, em que o S&P 500 atingiu o menor nível em três semanas, o mercado busca mais clareza sobre a real saúde do mercado de trabalho norte-americano. Analistas destacaram que os dados recentes podem ter sido distorcidos pela paralisação parcial do governo, o que adiciona ruído à leitura econômica.
Expectativas sobre juros seguem no radar
Segundo dados compilados pela LSEG, o consenso do mercado aponta para dois cortes de 25 pontos-base na taxa de juros em 2026, com o primeiro movimento esperado para junho. Essa projeção ganhou força após comentários recentes de dirigentes do Fed, que indicaram cautela, mas não fecharam a porta para um ciclo de flexibilização monetária.
Declarações aguardadas do governador do Fed, Christopher Waller, e do presidente do Fed de Nova York, John Williams, devem ajudar a orientar o mercado ao longo do dia. A percepção predominante é de uma pausa curta no ciclo de cortes, alinhada ao discurso mais recente do banco central.
Política, Fed e ruído institucional
O noticiário político também entrou no preço dos ativos. Relatos indicam resistência à possível nomeação de Kevin Hassett para a presidência do Fed, tanto por membros próximos ao presidente Donald Trump quanto por grandes nomes do mercado financeiro, como Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, e Ken Griffin, da Citadel.
O principal ponto de atrito seria o forte apoio de Hassett a cortes agressivos de juros, algo que gera desconforto em um momento em que o Fed tenta equilibrar crescimento e controle da inflação.
Petróleo sobe com tensões na Venezuela
No mercado de commodities, o petróleo registrou alta de cerca de 2%, impulsionado por novas tensões geopolíticas envolvendo a Venezuela. A decisão de Trump de ordenar um bloqueio a petroleiros sancionados que entram e saem do país elevou os preços do barril e beneficiou ações do setor de energia.
Empresas como Halliburton, SLB e Occidental Petroleum subiram cerca de 1% no pré-mercado, recuperando parte das perdas da sessão anterior, quando o setor de energia do S&P 500 teve sua maior queda diária desde abril.
Ouro e prata disparam e puxam mineradoras
Os metais preciosos também roubaram a cena. O ouro avançou de forma consistente, enquanto a prata atingiu US$ 65, seu maior nível histórico, impulsionando fortemente as ações de mineradoras.
Papéis da Newmont e da Barrick Mining subiram mais de 1%, enquanto o ETF Global X Silver Miners (SIL) avançou 1,8%. Em um ambiente de incerteza econômica e geopolítica, o movimento reforça o papel do ouro e da prata como ativos de proteção.
Inteligência artificial segue no centro do jogo
Se existe um tema que continua dominando o mercado, é a inteligência artificial. A Amazon ganhou 1,5% após relatos de que estaria negociando um investimento de aproximadamente US$ 10 bilhões na OpenAI, criadora do ChatGPT.
O possível aporte reforça a corrida das big techs por protagonismo no setor de IA e reacende o otimismo dos investidores, mesmo diante de preocupações com valuations elevados no setor de tecnologia.
Outro destaque foi a Hut 8, que disparou 18,4% após anunciar uma parceria de infraestrutura de IA de US$ 7 bilhões com a Anthropic e a Fluidstack, mostrando como empresas antes ligadas a cripto estão se reposicionando estrategicamente.
Movimento estratégico no setor de mídia
No setor de mídia e entretenimento, o conselho da Warner Bros. Discovery rejeitou a oferta hostil de US$ 108,4 bilhões da Paramount Skydance, optando por uma proposta vinculativa da Netflix.
O mercado reagiu rapidamente: as ações da Netflix subiram 1,6%, enquanto Paramount e Warner Bros recuaram 1,9% e 1%, respectivamente. O episódio reforça a consolidação do setor e a força do streaming como principal motor de crescimento.
Olhar para o curto e médio prazo
Com apenas duas semanas restantes para o fim do ano, Wall Street caminha para registrar seu terceiro ano consecutivo de ganhos, sustentada por expectativas de cortes de juros e pelo entusiasmo com novas tecnologias.
Ainda assim, o trimestre trouxe maior seletividade, com rotação para small caps, setor de saúde e bancos, refletindo um mercado mais estratégico e menos eufórico.
O próximo grande teste será o relatório de inflação ao consumidor, que pode redefinir expectativas e ditar o ritmo dos mercados nas próximas semanas. Até lá, volatilidade no radar, oportunidades na mesa — e o investidor atento sai na frente.


