Criptomoedas despencam no ranking de interesse dos investidores brasileiros após forte queda do Bitcoin, enquanto ações e renda fixa ganham protagonismo em 2025.
Criptomoedas perdem relevância entre investidores brasileiros
As criptomoedas fecharam novembro ocupando a última posição no ranking de interesse dos investidores brasileiros, segundo levantamento do buscador Yubb. O dado chama atenção porque, apenas um mês antes, os criptoativos ainda figuravam na sexta colocação entre as classes de ativos mais buscadas no país.
Essa mudança brusca de comportamento não aconteceu por acaso. O período foi marcado por uma forte correção no mercado cripto, liderada pelo Bitcoin, que registrou um desempenho negativo histórico para o mês de novembro.
O movimento sinaliza algo importante: o investidor brasileiro está mais pragmático, menos emocional e cada vez mais atento ao cenário macroeconômico. Em bom português corporativo? Gestão de risco voltou para o centro da mesa.
Bitcoin tem pior novembro desde 2018
O principal fator por trás da perda de interesse nas criptomoedas foi a queda de 17,5% no preço do Bitcoin (BTC) ao longo de novembro. O ativo abriu o mês sendo negociado a US$ 109.600 e fechou em torno de US$ 90.360, consolidando o pior desempenho para um mês de novembro desde 2018.
Em um momento ainda mais crítico, no dia 21 de novembro, o Bitcoin chegou a tocar mínimas próximas de US$ 80.000, o que acendeu o alerta vermelho no mercado e reforçou a percepção de reversão no sentimento dos investidores.
Essa correção ocorreu poucas semanas após o criptoativo registrar um recorde histórico de preço no início de outubro, o que ampliou a frustração de quem entrou comprado próximo do topo.
Resultado? A confiança balançou — e o capital migrou.
ETFs de criptomoedas também perdem tração
Nem mesmo os ETFs de criptomoedas, vistos por muitos investidores como uma porta de entrada mais segura e regulada para o mercado digital, conseguiram escapar do movimento de aversão ao risco.
Os fundos de índice ligados a criptoativos ficaram apenas na sétima posição no ranking de interesse, reforçando que o problema não está só no ativo em si, mas no sentimento geral do mercado.
Fluxos negativos, menor apetite institucional e incertezas regulatórias continuam pressionando esse segmento.
Ações lideram o ranking e assumem protagonismo
Enquanto as criptomoedas enfrentavam um verdadeiro inverno, o mercado de ações viveu um cenário totalmente oposto.
Impulsionado por uma alta acumulada de 30% do Ibovespa em 2025, o interesse por ações e fundos de ações liderou as buscas dos investidores brasileiros pelo segundo mês consecutivo.
Somente em novembro, o principal índice da Bolsa brasileira avançou cerca de 6%, renovando máximas históricas e reforçando a narrativa de que o investidor está disposto a assumir risco — desde que ele seja calculado.
Aqui o racional é claro:
📈 crescimento econômico +
📊 resultados corporativos +
💰 valuation ainda atrativo
Combinação perfeita para atrair capital.
Selic alta mantém renda fixa no radar
Apesar da empolgação com a renda variável, a manutenção da taxa Selic em 15% segue garantindo espaço relevante para os investimentos em renda fixa.
CDBs e títulos do Tesouro Nacional aparecem logo na sequência do ranking de interesse, refletindo a busca por previsibilidade, liquidez e proteção em um ambiente ainda volátil.
Além disso, um evento específico chamou atenção do mercado: a liquidação do Banco Master. Investidores com CDBs da instituição, que ofereciam rendimentos acima da média, precisaram acionar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para recuperar valores de até R$ 250 mil.
Esse episódio reforçou um ponto-chave: rentabilidade sem análise de risco é ilusão financeira.
Criptomoedas estão em um mercado de baixa?
Em dezembro, o Bitcoin segue pressionado, acumulando uma queda adicional de 2,5%, segundo dados da CoinGecko. O cenário ainda é desafiador.
Entre os principais fatores que pesam sobre o mercado estão:
- Fluxo negativo nos ETFs de criptomoedas
- Redução das compras por empresas de tesouraria de ativos digitais
- Temores ligados à chamada “ameaça quântica”
- Incertezas sobre uma possível bolha no setor de inteligência artificial
Apesar disso, nem tudo é pessimismo.
Suporte em US$ 80 mil mantém estrutura de longo prazo
Do ponto de vista técnico, a manutenção do suporte na região dos US$ 80.000 preserva a estrutura macro de alta do Bitcoin. Isso abre espaço para uma possível reversão de tendência caso o ativo volte a ser negociado acima de US$ 100.000.
Ou seja: o mercado cripto não morreu — ele está em modo seletivo.
Para o investidor brasileiro, o recado é direto e sem firula: diversificação, estratégia e visão de longo prazo nunca foram tão importantes.
Quem entender o momento, sai na frente. Quem insistir em emoção, paga o preço.


