Ações de petrolíferas dos EUA sobem forte após declarações de Trump sobre a Venezuela. Veja impactos no petróleo, empresas beneficiadas e cenário global.
Ações petrolíferas dos EUA sobem com cenário geopolítico explosivo
As ações das companhias petrolíferas norte-americanas dispararam no início da semana após declarações do presidente Donald Trump que reacenderam o debate geopolítico e energético global. Segundo Trump, os Estados Unidos assumiriam o controle da Venezuela após a prisão do presidente Nicolás Maduro, abrindo caminho para que grandes empresas dos EUA tenham acesso direto às maiores reservas de petróleo do mundo.
O mercado reagiu rapidamente. Investidores precificaram a possibilidade de um novo ciclo de investimentos bilionários em infraestrutura petrolífera venezuelana, hoje severamente deteriorada após décadas de má gestão, sanções econômicas e nacionalização da indústria.
No jargão do mercado: risco político alto, mas upside potencial gigantesco.
Venezuela e suas reservas: muito petróleo, pouca produção
A Venezuela detém oficialmente as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta. No entanto, isso não se traduziu em produção eficiente ao longo dos últimos anos.
Na década de 1970, o país chegou a produzir cerca de 3,5 milhões de barris por dia, representando mais de 7% da oferta global. Já nos anos 2010, esse número caiu para menos de 2 milhões de barris diários. Em 2024, a média foi de aproximadamente 1,1 milhão de barris por dia, algo próximo de apenas 1% da produção mundial.
A queda acentuada é atribuída a fatores como:
- Nacionalização da indústria petrolífera em 2007
- Saída de empresas estrangeiras
- Sanções internacionais
- Falta de investimento em tecnologia e manutenção
Resultado? Um ativo gigantesco subutilizado.
Chevron lidera ganhos e desponta como principal beneficiária
Entre as empresas diretamente impactadas, a Chevron (CVX) chamou atenção. Única grande petrolífera norte-americana ainda operando na Venezuela sob uma isenção especial concedida pelos EUA, a companhia viu suas ações subirem 7,3% no pré-mercado.
Essa presença prévia coloca a Chevron em posição estratégica para se beneficiar rapidamente de qualquer mudança de política externa ou flexibilização de sanções. Em termos corporativos, ela já está “sentada na cadeira certa na mesa de negociação”.
Refinarias dos EUA também entram no rali
Não foram apenas as produtoras que comemoraram. Refinarias norte-americanas também registraram fortes altas, impulsionadas pela possibilidade de maior oferta de petróleo bruto pesado venezuelano.
Entre os destaques:
- Phillips 66 (PSX)
- Marathon Petroleum (MPC)
- Valero Energy (VLO)
- PBF Energy (PBF)
Essas empresas tiveram valorização entre 5% e 16%, refletindo o alinhamento do petróleo venezuelano com a configuração das refinarias da Costa do Golfo dos EUA.
Segundo analistas, o petróleo bruto da Venezuela, apesar de pesado e com alto teor de enxofre, se encaixa bem nesse parque industrial, especialmente para produção de diesel e combustíveis mais pesados.
Preços do petróleo permanecem estáveis: por quê?
Apesar da euforia nas ações, os preços do petróleo no mercado internacional permaneceram praticamente estáveis. O motivo é simples: a oferta global segue ampla, pressionando as cotações, enquanto qualquer recuperação relevante da produção venezuelana levaria tempo.
Além disso, Trump deixou claro que o embargo às exportações de petróleo venezuelanas segue em vigor, ao menos no curto prazo. Ou seja, o mercado ainda trabalha no modo “expectativa”, não no modo “entrega”.
Devolução de ativos e bilhões em jogo
Outro ponto que animou Wall Street foi a possibilidade de devolução de ativos apreendidos pela Venezuela em 2007, durante o governo de Hugo Chávez.
Analistas do J.P. Morgan destacaram duas empresas com forte potencial de recuperação financeira:
- ConocoPhillips (COP), com reivindicações próximas de US$ 10 bilhões
- Exxon Mobil (XOM), com danos pendentes estimados em US$ 2 bilhões, após reivindicações originais que superavam US$ 15 bilhões
As ações refletiram o otimismo: a ConocoPhillips subiu 7,5%, enquanto a Exxon avançou 4,3%.
Empresas de serviços petrolíferos entram no radar
Empresas responsáveis por tecnologia, perfuração e serviços especializados também surfaram a onda. Baker Hughes (BKR), Halliburton (HAL) e SLB (SLB) tiveram altas entre 7% e 9%.
Essas companhias seriam essenciais para qualquer tentativa de recuperação da produção venezuelana, dado o nível de sucateamento da infraestrutura local.
Cautela no horizonte: recuperação não será imediata
Apesar do entusiasmo inicial, analistas reforçam que qualquer retomada significativa da produção venezuelana será lenta. Incerteza política, infraestrutura degradada e anos de subinvestimento não se resolvem com um simples anúncio.
Em termos estratégicos, o movimento representa mais uma opção de crescimento futuro do que uma solução imediata para o mercado global de petróleo.
Conclusão: oportunidade gigante, execução complexa
O possível acesso das petrolíferas dos EUA às reservas da Venezuela reacendeu o apetite do mercado por ativos do setor energético. As ações reagiram forte, os investidores sorriram, mas o cenário ainda exige cautela.
Se houver estabilidade política, segurança jurídica e investimentos consistentes, a Venezuela pode voltar a ser um player relevante no mercado global de petróleo. Até lá, o mercado seguirá atento, precificando cada nova declaração — porque, neste jogo, geopolítica vale tanto quanto barril.


