Ação dos EUA na Venezuela eleva risco geopolítico na América Latina e se torna um dos principais catalisadores da volatilidade do Bitcoin em 2025, segundo Moody’s e Santiment.
Bitcoin e geopolítica: quando o mundo treme, o mercado sente
O Bitcoin voltou ao centro das atenções em 2025, não por falhas internas do mercado cripto, mas por fatores externos cada vez mais intensos. Segundo relatório recente da Moody’s, a ação dos Estados Unidos na Venezuela elevou significativamente a tensão geopolítica na América Latina, criando um ambiente de maior incerteza econômica. Esse cenário, de acordo com a plataforma de análise de sentimento Santiment, tornou-se o principal catalisador da volatilidade do Bitcoin ao longo do ano.
Na prática, o mercado cripto entrou numa verdadeira montanha-russa. E o cinto de segurança? Bom, esse cada investidor precisou apertar por conta própria.
Impacto limitado no crédito, mas forte no sentimento do mercado
A Moody’s foi clara ao afirmar que a ação dos EUA na Venezuela tem impacto limitado no perfil de crédito macroeconômico, corporativo e bancário no curto prazo. No entanto, o aumento do risco geopolítico passou a ser uma característica estrutural do ambiente econômico regional.
Isso significa mais incerteza, mais cautela dos investidores e, claro, mais volatilidade nos ativos de risco — com destaque para o Bitcoin, que reage rapidamente a eventos globais.
Embora as criptomoedas já tenham sido vistas como um “porto seguro” contra inflação, conflitos políticos e instabilidade financeira tradicional, 2025 mostrou uma mudança relevante nessa narrativa.
Criptomoedas pressionadas por eventos globais
De acordo com a Santiment, o mercado cripto em 2025 foi muito menos influenciado por dramas internos do setor e muito mais por pressões externas da economia global. Escaladas geopolíticas envolvendo Israel, Palestina e Irã já haviam provocado fortes oscilações no Bitcoin — e o episódio envolvendo Venezuela e Estados Unidos reforçou essa tendência.
Ou seja: o Bitcoin continua descentralizado, mas o mercado definitivamente não está isolado do mundo real.
Venezuela, petróleo e efeitos em cascata na região
Apesar da captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelas forças dos EUA, a Moody’s avalia que os preços do petróleo não foram impactados no curto prazo. A agência destaca que a Venezuela possui algumas das maiores reservas subdesenvolvidas de petróleo pesado do mundo, mas qualquer aumento relevante na produção exigiria anos de investimento e reconstrução operacional.
Ainda assim, os possíveis efeitos de longo prazo incluem aumento da produção de petróleo, impactos na migração, comércio regional e investimentos — fatores que ampliam a instabilidade econômica na América Latina.
Incerteza política e eleições na América Latina
Outro ponto de atenção levantado pela Moody’s é o impacto político regional. A ação unilateral dos EUA sinaliza uma postura mais intervencionista e reforça o interesse em reafirmar sua influência no hemisfério ocidental, especialmente frente à presença da China na América Latina.
Esse movimento tende a influenciar diretamente a política interna de países como Peru, Colômbia e Brasil, que terão eleições importantes em 2026. Para os mercados financeiros — incluindo o de criptomoedas — esse contexto adiciona uma camada extra de risco e imprevisibilidade.
Bitcoin resiste, mas segue volátil
Apesar da pressão, especialistas indicam que os “ursos” não conseguiram derrubar o Bitcoin abaixo do patamar de US$ 87 mil, demonstrando certa resiliência do ativo. Ainda assim, o comportamento do mercado segue altamente sensível a notícias geopolíticas, decisões do Federal Reserve e dados macroeconômicos inesperados.
Em outras palavras: o Bitcoin continua forte, mas o emocional do mercado anda no limite.
Stablecoins ganham protagonismo em meio à instabilidade
Curiosamente, o relatório da Moody’s também aponta para um avanço significativo das stablecoins em 2026, especialmente em soluções de pagamentos e gestão de liquidez. Em tempos de volatilidade elevada, ativos atrelados a moedas fiduciárias ganham espaço como ferramentas de proteção e eficiência operacional.
Isso reforça uma tendência clara: o ecossistema cripto está amadurecendo e diversificando seus papéis dentro da economia global.
Conclusão: volatilidade como o novo normal
O cenário atual deixa uma mensagem cristalina para investidores e analistas: a volatilidade do Bitcoin em 2025 está profundamente conectada à geopolítica global. A ação dos EUA na Venezuela é apenas mais um capítulo de um mundo cada vez mais interligado, onde decisões políticas reverberam instantaneamente nos mercados digitais.
Para quem atua ou investe em criptoativos, o recado é direto, quase corporativo: gestão de risco, leitura de cenário e visão estratégica deixaram de ser diferenciais — viraram pré-requisitos.
Porque no jogo global, quem ignora a geopolítica acaba pagando o preço… em dólar, em satoshi ou em oportunidade perdida.


